DDBusiness: Um papo sobre a Sallve com Julia Petit

A Sallve é uma marca que acompanho desde antes de nascer, inclusive anunciei por aqui em primeira mão seu lançamento há pouco mais de 2 anos. Desde então muita coisa rolou – vários lançamentos de produtos, algumas rodadas de investimento, sem falar na pandemia que trouxe vários desafios -, e resolvi bater um papo com Julia Petit, CCO da Sallve, para a seção DDBusiness, com foco em negócios, para ouvir sobre o momento atual da marca (no IGTV tem outro papo, com foco em produtos, que vocês podem ver aqui).

Mesmo com pouco tempo de existência, a Sallve virou uma das empresas mais queridas dos últimos tempos no Brasil, com uma comunidade fortíssima de fãs (são 577 mil seguidores no Instagram). Hoje o portfólio conta com 13 produtos – 11 deles foram lançados durante a pandemia. A equipe pulou de 20 para 100 funcionários em um ano e meio, trazendo todo um aprendizado de como contratar, desenvolver e gerenciar um grande time remotamente. “Passamos a trabalhar de casa bem no comecinho da pandemia, e o time aumentou muito desde então. Ainda estamos em uma fase meio cigana, quando tudo voltar ao normal que vamos ver como é a equipe da Sallve interagindo na vida real”, conta Julia Petit.

Nesse meio tempo eles reformaram e ampliaram o escritório, que está só esperando o sinal verde da vacinação para ser inaugurado oficialmente. As peculiaridades em relação a pandemia não param por aí: o time de Pesquisa & Desenvolvimento conta com laboratórios pessoais dentro de suas casas enquanto não podem voltar a trabalhar presencialmente.

E como é gerir tantas pessoas de forma remota? Julia explica que existem vários líderes de cada área em diversas camadas, cuidando dos departamentos e “squads”. Com tanto tempo estando em casa, algumas regras começaram a surgir para tentar amenizar a fadiga causada pela alta exposição às telas: as reuniões são limitadas entre os horários de 9h da manhã e 18h da noite, com horário de almoço livre por duas horas obrigatório. Às quartas, não fazem reunião de vídeo para conseguirem focar no trabalho. “Aos poucos a gente vai adquirindo práticas para melhorar esse ambiente e a liderança. A gente conversa muito com a equipe inteira. Manter a gestão de trabalho do dia a dia não é difícil, o desafio é manter a gestão humana, as pessoas estão cansadas, vivendo um eterno dia da marmota.”

Em relação aos negócios, as vendas vão de vento em popa. Isso porque, durante o período de isolamento, as pessoas passaram a ter mais tempo para se dedicar aos cuidados em geral e ao skincare. Julia acredita que essa mudança veio da necessidade de sentir um certo alívio e alegria ao passar os cremes. Esse hábito, ela aposta, deve permanecer mesmo quando a vida voltar ao normal, já que o interesse das pessoas aumentou e muitas começaram a ter mais disciplina em relação aos cuidados com a pele e o corpo.

Um dos trunfos da Sallve são as embalagens colorida e a comunicação amiga, que ajudam na conexão entre consumidor e marca. Segundo Julia, a Sallve nasceu para educar, criar conteúdo e deixar as pessoas felizes. Se antes os produtos dermatológicos eram minimalistas – quase como embalagens de medicamento – e considerados uma obrigação, hoje é possível se divertir e sentir uma ligação com sua linha de skincare, incentivando seu uso, o que alimenta um ciclo positivo já que com frequência, vêm os resultados – e aumentando a popularidade da marca no caminho.

Falando em benefícios a longo prazo, outra estratégia é criar produtos que oferecem um “presentinho” imediato (pele glow, efeito tensor, desinchar na hora) para ajudar a criar o hábito de uso, para tentar combater a preguiça de se cuidar, ou o sentimento de que o resultado vai demorar demais a aparecer.

Recentemente, a empresa recebeu um investimento de R$ 110 milhões, levantados com os fundos de venture capital Atlantico, e Julia elabora sobre uma questão que os fãs muitas vezes se perguntam: o isso significa na prática? Com o aporte, por exemplo, a marca não depende só do lucro das vendas para poder oferecer um alto nível de desenvolvimento de produtos, com mais possibilidades de lançar novidades em menos tempo, sem deixar a comunidade de lado, já que eles querem entender cada vez mais a pele da brasileira. Além disso, é muito valioso poder contar com investidores que acreditam no negócio e contribuem com suas experiências e expertises, ajudando no dia a dia e na tomada de decisões.

As boas práticas da Sallve tem refletido no comportamento de outras empresas, o impacto da forma com que dialogam com os consumidores é referência. “A gente gosta muito de olhar o mercado e ver o quanto ele está florescendo – também por causa da gente. O quanto a gente está inspirando para ele ser melhor e mais justo”.

Para o futuro, Julia conta que o plano é desenvolver o que as pessoas pedirem – e se depender da comunidade super engajada da marca, eles vão fazer de tudo mesmo. Embalagens maiores, novas categorias e mais 7 produtos a serem lançados ainda esse ano é o que podemos esperar – por enquanto. Eu estou animada para acompanhar os próximos passos!