O boom do autocuidado — e porque ele importa

*texto por Cassandra Velloso. Aromaterapeuta, bioconstrutora e professora de Hatha Yoga em formação.

Nunca a palavra autocuidado foi tão usada, você já deve ter notado. E nunca foi tão importante discutir o quanto hábitos saudáveis e pequenas atitudes diárias colaboram para a preservação da nossa saúde, bem-estar e sanidade mental. Mas do que se trata, afinal, o tal autocuidado? No dicionário encontramos definições como esta: “autocuidado é um conjunto de atividades que auxiliam a conquistar mais autonomia e a ganhar qualidade de vida no dia a dia”. Já de acordo com o Ayurveda, medicina milenar indiana, o autocuidado é uma prática constante de disciplina e autoconhecimento, pois quanto mais avançamos nesta caminhada, mais incluímos na rotina ações que nos fazem bem em todos os aspectos. É o perfeito exemplo de um ciclo virtuoso que, se começamos a alimentar, só traz coisas positivas.

Vejo ainda outro aspecto: numa sociedade como a nossa, autocuidado é um ato revolucionário — não é só pela aparência, nem muito menos para se encaixar em algum padrão estético pré-definido, já que estamos quebrando essas barreiras (até que enfim). Nos tempos atuais, é preciso cuidar do nosso corpo, nosso templo, em um aspecto mais amplo, pois há uma relação quase que inseparável entre isso e nossa autoestima, nossas emoções, nossa beleza e também em como podemos impactar positivamente a vida das pessoas que nos cercam.

Quando estamos saudáveis e equilibrados, somos capazes de cumprir nosso propósito essencial, permitindo-nos sentir o melhor possível para compartilhar nossos dons com o mundo. E para ajudar você nessa caminhada (de toda uma vida), aqui vão algumas dicas de ouro, porém simples de incorporar no dia a dia:

Raspe a língua diariamente. Esse hábito ajuda a eliminar as toxinas liberadas pelo organismo durante a noite e faz uma espécie de detox, além de melhorar a digestão (que começa na boca).

Seja amigx do seu intestino! Ele é mais importante do que se imagina, já que há uma estreita relação entre o cérebro e as células nervosas intestinais. 90% da serotonina do organismo é produzida por elas, e é muito importante que essa produção esteja fluindo bem — a serotonina é o hormônio que atua regulando o humor, o sono, o apetite, o ritmo cardíaco, a temperatura corporal, a sensibilidade e as funções cognitivas. Para ajudar seu intestino, uma alimentação nutritiva, baseada em alimentos naturais e frescos, faz toda a diferença.

Incorpore a abhyanga na rotina, prática que consiste em fazer uma oleação no corpo. Utilizando óleos vegetais, toque a pele, como se fosse uma massagem, mas sem exatamente o objetivo de massagear — pense mais como espalhar, mas de maneira mais vigorosa. Segundo a Ayurveda, isso é importante para a prevenção, manutenção e preservação da nossa energia vital e para a eliminação de toxinas nas camadas exteriores do corpo.

Ative seu organismo ao acordar. Beber um copo de água morna com até 10 gotas de limão é uma forma de fazer um desjejum lento e ativar o corpo. Também estimula a evacuação. A água de limão em jejum é especialmente benéfica em dias mais frios, pois ajuda a aumentar a imunidade.

Movimente seu templo diariamente! Mexa-se nem que seja por 20 minutinhos. Vale qualquer atividade que seu corpo desejar: caminhar, correr, andar de bicicleta, dançar. Ouça seu corpo, ele fala!

Respire com consciência. Exercícios respiratórios ajudam a promover a vitalidade, auxiliam na limpeza do sangue, regulam o pH e estimulam o cérebro através da liberação de endorfinas – hormônios do prazer, que combatem a depressão e ansiedade. Como já diz o ditado… “Respira, não pira”.

Aproveito para compartilhar dois exercícios respiratórios que podem ser feitos em qualquer lugar e são poderosas ferramentas para tranquilizar a mente e o corpo:

Respiração Quadrada

A cada inspiração e expiração, existe uma pausa. Cada um dos passos a seguir deve ser realizado no tempo de 4 segundos: inspire pelo nariz lentamente, depois segure o ar nos pulmões, em seguida expire lentamente pela boca e mantenha os pulmões “vazios” durante a contagem. É como se você estivesse formando um quadrado respiratório, com quatro segundos em cada passo, daí o nome da técnica.

Alterando as narinas

Com a ajuda do dedo indicador, inspire por uma narina e expire pela outra. Na sequência, a narina que “puxou” o ar deve ser usada para “soltá-lo”. Assim como a anterior, essa técnica acalma e nos faz concentrar no momento presente, quase como uma meditação.

{Fotos: Reprodução Pexels Alesia Kozik, Cassandra Veloso e @holistix}