Especial mascne: porque acontece e como tratar a acne causada pelo uso de máscaras de proteção

Grandes chances de você ter se deparado com o termo “mascne” por aí nos últimos meses — e, se sua pele tem se comportado de maneira estranha, com oleosidade fora do normal, espinhas aparecendo na região da mandíbula, bochecha, nariz, sem falar na pele mais sensível ou irritada, é bem capaz que seja essa a razão: a acne agravada pelo uso constante de máscaras de proteção. É de se esperar que um elemento novo e externo que fica, às vezes por horas, em contato com a pele traga algum “efeito colateral”, mas algumas adaptações na rotina de cuidados e a introdução de novos hábitos podem controlar ou ao menos minimizar o problema.

MAS POR QUE A MASCNE ACONTECE?

Quem já tem predisposição à acne e passa o dia inteiro usando máscaras que não são 100% algodão, como a cirúrgica N95, feita de polipropileno, um polímero plástico, estão no topo da lista de alvos da mascne — mas a verdade é que mesmo máscaras de outros materiais, usadas algumas horas por dia, já podem causar o problema, especialmente nas mulheres. “Afinal, a máscara fica bem na área onde ocorre a acne adulta comum no sexo feminino – mandíbula, transição do rosto para o pescoço, e região preauricular”, diz a dermatologista Fernanda Arêas, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. 

O grande problema é o abafamento causado pelo item na região. “Respirar nesse ambiente ‘fechado’ aumenta a umidade e a temperatura da pele e cria uma oclusão, situação perfeita para o aumento de toxinas e do sebo, consequentemente aumentando cravos e espinhas”, avalia Bete Lacerda, esteticista eleita pela Vic como a rainha da limpeza de pele em São Paulo — ela conta que aumentou muito a incidência de acne e a procura por limpeza de pele entre seus clientes. Para diminuir o abafamento, Fernanda indica o uso, sempre que possível, de máscaras 100% algodão — lembra que roupas de algodão são mais fresquinhas, pois permitem que o corpo transpire melhor? Aqui é o mesmo caso. E para quem não tem opção a não ser a máscara cirúrgica, ela recomenda colocar uma máscara de algodão por baixo da de TNT, para o tecido sintético não ficar em contato direto com a pele. “Qualquer oclusão é ruim, mas o algodão causa isso em menor grau”. 

Somado ao “efeito máscara”, tem ainda o (inevitável nesses tempos) aumento do estresse, que pode piorar ainda mais a incidência da mascne: “o estresse estimula a produção do hormônio cortisol, cujo impacto na pele é justamente agravar quadros de acne”, explica Fernanda. Para tornar tudo mais emocionante, em um típico caso de ciclo vicioso, o tratamento comum para acne, feito com ácidos, pode não ser o ideal nesse caso. “O ácido causa uma descamação na pele, e o contato dessa pele descamada com a máscara piora a situação”, alerta Fernanda. O elemento externo máscara pode causar ainda irritação — especialmente onde o elástico fica em contato direto com a pele — e piorar quadros de dermatite ou rosácea, já que desequilibra o ambiente normal da região, então usar produtos muito agressivos ou que sensibilizem a pele passa a ser ainda mais complicado. Por isso, é hora de adaptar a rotina de skincare.

SOCORRO, COMO TRATAR?

Como já deu para perceber, a mascne é algo complexo e consultar um dermatologista pode ser ótima ideia para ter uma orientação personalizada. Uma recomendação geral que Fernanda tem dado para seus pacientes é a substituição dos ácidos retinóides, que são um pouco mais abrasivos, pelo ácido salicílico, que é mais leve. Melhor ainda se você borrifar o ácido salicílico na máscara ao invés de aplicar diretamente no rosto, assim a pele ainda recebe o tratamento, porém de uma forma mais lenta e menos agressiva — essa dica Fernanda viu nas redes sociais da dermatologista americana Sandra Lee, o fenômeno @drpimplepopper, e tem repassado no consultório. “Coloque um pouco do produto dentro daqueles frasquinhos de spray e borrife na máscara antes de colocar no rosto.”

Além disso, capriche MESMO na higienização da pele, especialmente à noite — pense que ela passou por situações desafiadoras o dia todo e merece esse carinho. Use um sabonete de limpeza específico para pele oleosa, se sentir que a produção de sebo aumentou, e que tenha o pH bem próximo ao da pele (os da linha Effaclar, da La Roche-Posay, são boas pedidas). Outro passo importante: hidratar, mesmo que tenha pele oleosa ou espinhas, para manter a barreira de proteção em dia, outro fator relevante para uma pele saudável e feliz — evite hidratantes pesados, opte por um sérum levinho de ácido hialurônico (tem várias dicas nesse vídeo aqui) ou algum específico para acne, como o Blemish + Age Defense da Skinceuticals (aqui). Aplicar um hidratante antes de colocar a máscara também é interessante, pois diminui o atrito e a pressão do elástico. E, mais do que nunca, evite lavar o rosto com água quente, que abre os poros e deixa a pele ainda mais vulnerável.

Uma sugestão da Vic que super funciona é “setorizar” o skincare: adote uma rotina pontual para a região onde vai a máscara, com todas as suas necessidades características, e mantenha o que já funciona no resto do rosto (seja um ácido mais agressivo, um sérum com ação diferente ou um hidratante mais power). Ter uma água termal à mão para borrifar durante o dia é outra boa ideia, já que ela acalma e tem ação antibactericida. 

Aumentar a frequência da limpeza de pele profissional, para extrair cravos e evitar que espinhas se proliferem (ou que você fique tentada a resolver o problema por conta própria, nada indicado), também pode ajudar. “Minhas clientes que faziam limpeza todo mês têm feito de 15 em 15 dias, dá uma desintoxicada, melhora a oxigenação da pele, a melhora é visível”, diz Bete. Só cuidado com aquela questão da pele sensível em contato com a máscara — se possível, marque sua limpeza em um dia que não vá passar muitas horas usando ela depois. 

Outro cuidado fundamental é, no caso das máscaras não descartáveis, lavá-las com frequência. Não precisa de muita criatividade para imaginar a quantidade de bactérias e resíduos que ficam na máscara e potencializam o quadro de mascne. 

E A MAQUIAGEM, FICA COMO?

Grosso modo, maquiagem deve ser evitada se possível. Pele abafada, calor, oleosidade exacerbada… Trazer mais um elemento para esse mix de fatores que causa a mascne torna a situação ainda mais complexa. Sem falar que o põe e tira da máscara não é positivo nem para a maquiagem em si, que acaba ficando toda nela.

Mas nem sempre o cenário maquiagem zero é realista, especialmente se você vai passar o dia alternando entre estar de máscara e estar sem máscara, e se sente mais confortável maquiada — nem que seja para disfarçar o que? As espinhas causadas pela mascne! A dica da Vic é usar o mínimo possível: evite passar base na pele inteira, faça apenas correções pontuais com o corretivo (aprenda nesse vídeo aqui), e considere trocar produtos cremosos por em pó. Para retocar o que invariavalmente vai sair, ela tem usado o Studio Fix da MAC (aqui), porque é uma base, com cobertura, mas em pó, que dá uma segurada na oleosidade, além de ser prática de aplicar ao longo do dia. No mais, é mais fácil evitar batons muito aparecidos e caprichar nos olhos — tem um vídeo aqui onde a Vic fala mais sobre maquiagem em tempos de máscara. 

Instagram da Dra. Fernanda dermatologista aqui
Instagram da Bete esteticista aqui

{Fotos: Vic Ceridono, Clara Novais, Shiny Diamond / Pexels e Anna Shvets / Pexels}