Navegando no mundo dos cosméticos conscientes: como entender os selos e certificados

Beleza limpa, cosméticos conscientes, livres de crueldade animal, ingredientes naturais, ingredientes orgânicos, vegano, sustentável, livres de ingredientes polêmicos – você sabia que cada um desses termos significa uma coisa diferente, e que um produto pode ser isso tudo ou ter só algumas dessas características?

Fato é que cada vez mais pessoas querem consumir produtos que tenham a pegada clean beauty, ao mesmo tempo em que cada vez mais marcas embarcam nessa “onda”, tanto as que nascem nos dias de hoje já com essa preocupação no DNA, quanto as que estão no mercado há mais tempo e estão reajustando fórmulas e processos. Vale dizer que essa “onda” começou como uma tendência nicho e foi ficando cada vez mais forte, hoje já é totalmente estabelecida e só tende a crescer. Lembro de escrever matérias sobre marcas orgânicas / veganas / etc há quase 15 anos na Vogue e é impressionante como o mercado evoluiu e amadureceu, tanto em opções quanto em tecnologia (sem falar na demanda do público).

Mas como ficou claro no começo do texto, navegar por esse mundo pode ser confuso, já que cada conceito significa uma coisa. Uma marca vegana não necessariamente usa ingredientes orgânicos, por exemplo. Ser cruelty free não significa ser sustentável ou natural. Há várias marcas que reúnem a maioria desses conceitos, mas se você quer entrar com tudo nesse mundo vale a pena dedicar um tempinho para pesquisar quais são importantes para você e qual marca é o que!

Uma das maneiras mais fáceis para entender “qual é” a de uma marca é analisar os selos de certificação que ela tem – e esse é o objetivo desse post, pois são vários, alguns focados nos ingredientes, alguns no meio ambiente. Os selos são uma super garantia de que os claims da marca são reais, e não apenas marketing. Entenda tudo sobre eles a seguir – e se você quer dicas de onde comprar produtos na pegada consciente, tem esse post aqui com várias dicas de lojas incríveis especializadas nesse universo.

Uma observação: por mais que alguns dos selos sejam de origem estrangeira, marcas brasileiras também podem aplicar para garantir essas certificações.

CRUELTY FREE
Garante que todos os ingredientes bem como o produto final não foram testados em animais. O termo em inglês significa, literalmente, livre de crueldade.
. Cruelty-free: da americana PETA (aqui)
. Leaping Bunny: da britânica Cruelty Free International (aqui)
. Not Tested on Animals: da australiana Choose Cruelty Free (aqui)

VEGANO
São produtos livres de matérias-primas de origem animal – que inclui substâncias produzidas por eles, como o mel, por exemplo.
. Vegan: também da PETA (aqui)
. Certified Vegan: da americana Vegan Action (aqui)
. Vegan Society: da britânica The Vegan Society (aqui)
. Vegano: da brasileira SVB (aqui)

NATURAL & ORGÂNICO
Na definição de natural entram cosméticos que não levam em suas composições substâncias como derivados de petróleo, silicone, parabeno, entre outros. O produto precisa conter no mínimo 95% de ingredientes naturais – o resto da porcentagem deve ser orgânico. Ingredientes naturais são substâncias de origem vegetal, animal (exceto vertebrados), água e sais minerais e suas misturas. Ou seja, não necessariamente são veganos ou cruelty free.

Já para os orgânicos, de acordo com a IBD (aqui) (Instituto Biodinâmico de Desenvolvimento Rural, organização brasileira responsável por certificar produtos orgânicos e biodinâmicos), entram nessa categoria cosméticos que tenham pelo menos 95% de matérias-primas autenticadas como orgânicas (isso é tabelado) – os outros 5% podem ser compostos por água e outras matérias-primas naturais. Devem ser produzidos com insumos da agricultura orgânica, cultivados sem uso de pesticidas ou organismos geneticamente modificados.

Entre os selos de orgânico mais consagrados está o ECOCERT (aqui), uma das maiores empresas certificadoras de produtos orgânicos. Eles levam em consideração todos os regulamentos oficiais do mundo e estão presente em 80 países. Em alguns lugares, como na França, o nome é usado como sinônimo de orgânico.

Geralmente, as empresas que classificam os produtos orgânicos também têm selos para certificar produtos naturais, inclusive a ECOCERT e a nacional IBD – maior certificadora da América Latina para produtos naturais e orgânicos desde 2014. Outra com reconhecimento internacional é a NATRUE (aqui), que tem selos para produtos naturais, naturais com porção orgânica e orgânicos, e parceria de reconhecimento mútuo com o IBD para exportação de produtos.

SUSTENTABILIDADE
. FSC (Conselho de Manejo Florestal, sigla em inglês) (aqui): Esse selo não está associado ao conteúdo dos produtos, mas sim à embalagem. Certifica que os papéis e embalagens usados são recicláveis e biodegradáveis, provenientes de madeira reflorestada ou outras fontes controladas. O processo produtivo também precisa ser ecologicamente adequado.

. Eureciclo (aqui): certificado nacional para marcas que se comprometem a investir na cadeia de reciclagem, através da compensação ambiental de suas embalagens – o que significa que não necessariamente é a embalagem que leva o selo que será reciclada, mas que a empresa está financiando a reciclagem de uma embalagem de mesma massa e grupo de material (vidro, papel, plástico ou metal). Para ter o selo, é preciso fazer a compensação de no mínimo 22% dos recipientes comercializados.

Aliás, hoje em dia já é possível montar um nécessaire 100% vegano e cruelty free. A jornalista de beleza Renata Kalil conta aqui como foi seu processo para essa mudança.

{Fotos: reprodução Daria Shevtsova/ Pexels, Anna Shvets/ Pexels e Instagram @vicceridono}