Uma reflexão

Em Nova York, pensei muito na relação das pessoas com maquiagem e comparei com o Brasil. Na minha opinião, o panorama não é dos melhores… Quem viaja sabe o quanto é fácil encontrar maquiagem em todo canto. No Brasil é fácil? Não, e olha que eu moro em SP. Por que não? Compare com NY, onde em cada esquina tem uma farmácia gigante com 30 mil opções de marcas por preços muito baixos. Em quase toda esquina tem lojinhas mais elaboradas com outras marcas igualmente mais elaboradas e um pouco mais caras. Se quiser ir na Sephora, não precisa fazer muito esforço, e quem já foi sabe o que é o paraíso da maquiagem, assim como são as lojas de departamentos, mil, com seus vastos pisos de beleza onde ficar tonta não é incomum.

Agora pensem no Brasil. Um exemplo simples: você, que quer ficar bonitinha mas não é fanática por maquiagem, precisa comprar um rímel. Você tem três opções. A primeira é escolher o de uma marca “high end”, que vai custar por volta de R$ 100 (U$ 20 em NY). Agora, se você vai gastar essa pequena fortuna só no rímel, vai acabar comprando ele e nada mais. E se por acaso estiver afim de montar uma singela nécessaire (vai, base, corretivo, lápis, rímel, sombra, batom e blush) não vai gastar menos do que R$ 500. Concorda que para gastar isso tudo você só vai escolher o básico do básico, aquilo que precisa usar todo dia e sabe que não vai ficar na gaveta? Sem contar que às vezes só para achar a tal marca já é um esforço.

Outra opção é escolher o de uma dessas marcas que vendem em farmácias mais power. Em NY, seria a mesma marca de farmácia, custando mais ou menos U$ 5, aqui, custa umas cinco vezes isso no mínimo. É comprável, claro, mas dá um pouco de raiva. E por último você pode escolher um bem barato porque precisa comprar e não está com dinheiro sobrando para gastar com esse tipo de coisa.

Agora, a maquiagem tem várias graças. Uma delas é estar voltando para casa e resolver, num impulso, comprar um novo lápis azul só pra experimentar, sem que isso signifique um rombo no orçamento. Veja bem, não é pensar “ai acho que hoje quero comprar um lápis azul só para experimentar, acho que vou ao shopping procurar”. A graça é poder comprar alguma coisa só porque ela está ali, tão fácil. Isso muda tudo, porque a pessoa pode não usar na hora, mas um dia, quem sabe, vai experimentar. E se gostar, maravilha, se não gostar, não vai ficar com aquele peso na consciência de ter gasto além da conta numa coisa inútil. Outra graça é ter o direito de ter 45 produtos de make, cada um de uma marca diferente. Isso, no Brasil, é impossível porque não temos opções suficientes.

Vejam bem, não estou dizendo que no Brasil não tem coisa em conta e de qualidade. O que incomoda é a dificuldade de achar, ou melhor, a pouca facilidade. Não está lá em cada esquina para qualquer uma. Avon e Natura, por exemplo, não têm loja. Isso faz muita diferença.

Sei também que os preços altos são culpa dos impostos absurdos. Perfume, minha gente, tem 100% de imposto de importação. A gente podia pagar metade. Todas essas coisas são para se pensar. Acredito na compra de maquiagens como uma coisa divertida, útil, fundamental. Espero que um dia este panorama mude. Até lá, vamos ter que continuar apelando até para as encomendas com quem viaja…